12 de julho de 2009

O verdadeiro Vale Tudo das lutas


Eles são partidários do princípios que, para se defender, vale tudo. Quando a vida é o que está em jogo, dedo no olho e chute em partes íntimas do oponente são mais alguns dos recursos que os praticantes de Krav-Maga lançam para a defesa pessoal. A luta é inspirada em técnicas de combate israelenses, e, como nas guerrilhas, as técnicas são fruto da necessidade básica de sobrevivência, do convívio com guerra, violência e morte. A luta existe em Salvador há três anos, mas há apenas um mês foi criado o Primeiro Centro de Krav-Magá do Norte- Nordeste, sendo a Bahia o primeiro estado, depois do Rio de Janeiro, a sediar uma associação deste porte. O instrutor responsável é o homem que trouxe os fundamentos da luta para a Bahia, Henrique Cerqueira.

Ao contrário do que pode parecer à primeira vista, o Krav-Maga não e uma arte marcial, e, portanto não existem competições esportivas, coreografias ou regras fundamentais. Os movimentos, que tem como base o deslocamento natural do corpo, valorizam mais a força do intelecto do que força física, e têm como meio de alcançar isso a transferência de peso do corpo - um golpe chega a jogar sobre o alvo 2/3 do peso do lutador. Existem ainda técnicas especiais de defesa e ataque contra bastões, faca e armas de fogo. Ou seja, defesa para qualquer situação de risco, e o melhor, sem precisar de força bruta ou andar armado.

Usada ainda para garantir bom preparo físico, o Krav-Magá serve ainda para desenvolver o auto controle da mente e do corpo. O aluno aprende a aguçar os cinco sentidos e desenvolve um sexto, que é a capacidade de pressentir os movimentos do oponente antes de serem esboçados. Os vários tipos de exercícios aplicados durante o curso tornam o aluno capaz de controlar qualquer músculos e qualquer outra parte do corpo. O êxito na luta independe do estado emocional, uma vez que o cérebro ordena o movimento por reflexo.


Importada de Israel

O Krav-Magá nasceu em Israel, por volta de 1940, em um tempo onde a guerra era entre fracos e fortes. A época era a da explosão dos movimentos de resistência de judeus da Europa durante a Segunda Guerra Mundial, e a luta surgiu da necessidade básica de sobrevivência dos menos preparados fisicamente e menos dotados em equipamentos bélicos. Com a independência do Estado em 1948, o Krav-Magá tornou-se a filosofia de defesa adotada pelo Tzahal, serviço militar israelense, polícia e serviço secreto. No início foi restrito apenas à elite militar, mas a partir de 1964 o ensino foi liberado aos demais militares e à população civil dentro do Estado de Israel. Em 1987, foi liberada a saída do Krav Magá para fora de Israel, e vários países, dentre os quais EUA, Inglaterra e França, solicitaram cursos que espalharam a arte no mundo. Em 1990, a luta chega ao Brasil.

O criador do método foi Imi Lichtenfeld, que estudou as artes marciais e percebeu onde estavam os pontos fracos nas técnicas de combates e lutas existentes. A nova luta foi desenvolvida para defesa de quem tem como ferramenta apenas o próprio corpo, potencializando os movimentos naturais do corpo para acertar em cheio os pontos fracos e sensíveis também o eram para seus inimigos e adversários. Ele selecionou um pequeno grupo para treinado e preparado com objetivo de levar a lua para as próximas gerações, do qual o Mestre Kobi Lichtenstein é parte integrante. Ele foi o primeiro faixa preta que saiu de Israel para difundir o Krav Magá, e chegou ao Brasil como o único representante da arte na América Latina. Mestre Kobi se estabeleceu na cidade do Rio de Janeiro e fundou a Associação Brasileira de Krav Magá,

Três Pilares

São três os pilares do Krav-Magá, princípios que fazem da luta uma forma ao mesmo tempo simples e eficiente de defender o próprio corpo: simplicidade, objetividade e velocidade. O primeiro consiste em observar a genialidade das coisas simples. As técnicas são acessíveis a qualquer pessoa, independente da experiência ou não em outros tipos de luta. o que facilita a ativação de uma reação em situação de perigo e surpresa. Os golpes são simples e curtos, o que facilita a ativação de uma reação em situação de perigo e surpresa. A objetividade está em destacar metas durante a luta e direcionar a força para alcançar isso que se quer fazer.

E a velocidade, um dos grandes trunfos em relação às artes marciais, é a forma de superar o outro em movimento e anular o golpe que vem pela frente. "Aqui a gente não perde tempo, é isso o que faz a diferença entre morrer e viver", explica o instrutor Henrique, exemplificando que "no karatê, por exemplo, tem aquele tempo definido em cada movimento, um tempo para defesa, outro para ataque, nós economizamos esse tempo". no Krav-Matá, defesa e ataque estão juntos em um mesmo golpe, que cancela o ataque antes de sofrê-lo, ao mesmo tempo que contra-ataca surpreendendo o oponente. Em tempos de violência urbana, nada melhor. "Aprender a se defender em qualquer situação e independente de quantas pessoas atacam ou das armas usadas é fundamental", avalia Adriano Rios, que pratica há seis meses.

Bagunçou, dançou

"Em defesa, é uma burrice considerar um golpe baixo, o verdadeiro Vale Tudo é o Krav-Matá", esclarece o Henrique sobre a falta de regras de conduta para golpes. Mas não é porque vale tudo que o Krav-Magá pode ser confundida com uma luta de violência gratuita. Os alunos das academias em todo o mundo seguem uma regra rígida de conduta, e a retaliação para quem utilizar as técnicas para distribuir pancada desnecessariamente é expulso da academia em que estuda e entra ainda para a lista negra mundial. "O cara que bagunçar não consegue mais praticar em nenhum canto do país nem do mundo, a gente divulga foto, informações sobre ele, e tudo o que for preciso para tirar ele em definitivo", explica o instrutor Henrique Cerqueira.

Não usar a luta para a violência é uma forma de alcançar o auto-controle da mente e do corpo, em equilibrio. Mas, além da mensagem de paz e da orientação apenas voltada para a defesa pessoal, o instrutor procura passar para os alunos que a luta é antes de tudo é uma arte, e que como tal, precisa ser preservada dentro de suas características originais. "Queremos passar o verdadeiro Krav-Magá, e que vocês preservem isso, que passem para seus filhos e assim por diante", prega Henrique.

Sexo e idade

Em uma turma de quinze alunos, duas meninas se destacam entre os lutadores. Camila Lessa chegou ao Krav-Matá depois de ter sido assaltada e descobrir que não queria mais estar fragilizada diante de uma situação dessas. "Procurei cursos de defesa pessoal pela lista telefônica, acabei gostando e estou aqui há um ano e meio" diz ela, que é uma das alunas mais antigas. "Espero não precisar usar o que sei em outra situação daquela, mas, se acontecer, embora ainda tenha um pouco de medo, sei como me safar", complementa. Já uma das calouras, Carla Rios, pratica o Krav-Magá há apenas duas semanas, "nunca tinha feito nenhum tipo de arte marcial, vim conhecer, gostei muito, sei que ainda tenho muito a aprender mas já me sinto mais segura", explica.

Não há uma idade definida, nem é preciso ter algum tipo de preparação especial para aprender e praticar a luta israelita. Em caso de jovens e crianças, é preciso que tenha, primeiro, vontade, e em seguida, maturidade para compreender os fundamentos da luta. "Isso varia de cada um, cada caso é um caso", explica o instrutor. O treinamento é adaptado para os grupos, de modo que todos fiquem em turmas com parecidas condições físicas.

Aulas e custos

O novo centro de Krav-Magá com uma área total de 1.200 metros quadrados, sendo a área de treinamento e dividida em duas partes: o tatame de 142 metros quadrados e a área de explosão, que conta com uma pista de obstáculos para exercícios especiais em que são utilizados pneus, barras, paralelas e cordas. É como um treinamento militar. As aulas acontecem de segunda a quinta-feira, em três horários (6h, 7h e 19h30), sempre com uma hora de duração. A mensalidade custa R$ 60,00 e não há taxa de matrícula. O endereço do Primeiro Centro de Krav-Magá do Norte-Nordeste é Rua André Gonçalves (mais conhecida como Rua K), número 200, Imbuí. Mais informações pelo telefone 230-6158 ou no endereço eletrônico http://www.kravmaga.com.br/.


Matéria publicada no site http://ibahia.globo.com/irado/corpo_materia.asp?modulo=33&codigo=45404&tit=esporte‏


Kidá!

Nenhum comentário:

Related Posts with Thumbnails